Pesquisadores apontam que chimarrão faz bem ao coração

O consumo de cem gramas do chá, duas vezes por dia, ajuda a reduzir o colesterol e os níveis de triglicerídeos.

O chimarrão foi feito pra ser bebido quente, esteja calor ou frio e nem experimente colocar açúcar. A natureza mandou ser amargo. É a bebida do coração de todos os gaúchos. Se já não bastasse a tradição, os médicos agora descobriram um motivo para deixar o chimarrão ainda melhor.
Bem cedinho, ele já acompanha o técnico contábil Lairton Santos a caminho do trabalho. No escritório, fazer o chimarrão é a primeira tarefa. O contador garante: esses minutinhos gastos preparando a erva-mate rendem boa disposição para o dia todo.
“Eu não sinto cansaço. Essa é uma coisa que eu percebo e acredito que o chimarrão tenha uma grande influência nisso. Levanta meio sonolento, toma duas, três cuias, parece que já está pronto para enfrentar o dia, seja o dia que for”, comenta o técnico contábil Lairton Santos.
O efeito estimulante já é bem conhecido pela sabedoria popular. Mas há outros benefícios que começam a ser comprovados agora pela ciência. A biomédica Rejane Giacomeli Tavares estudou a ação da erva-mate em cobaias. Descobriu que o consumo de cem gramas do chá, duas vezes por dia, ajuda a proteger o coração.
“Houve uma redução nos índices de colesterol, em torno de 29%, e uma significante redução no índice de triglicerídios, em torno de 62%, que é bastante interessante”, aponta a biomédica Rejane Giacomeli Tavares.
Mas ninguém precisa gostar de beber chimarrão para se beneficiar das qualidades da erva-mate. Em um laboratório, o extrato da planta já é o ingrediente principal em cremes feitos para retardar o envelhecimento da pele.
Os farmacêuticos dizem que o efeito é obtido graças à presença de uma substância antioxidante.
“Contribui bloqueando a ação do radical livre”, explica a farmacêutica.
Assim, o mate virou princípio ativo de hidratantes, loções e máscaras de beleza. Mas o que diria sobre a novidade um típico gaúcho – daqueles acostumados a ver o chimarrão só dentro da cuia? Convidamos o supervisor de segurança Marcílio Goularte para fazer o teste.
“Na hora de fazer um chamego para uma prenda, as mãos têm que estar muito bem cuidadas, como ficou a minha agora, neste momento. Até os calos estão macios”, aprova o supervisor de segurança Marcílio Goularte.
Quem não é do Rio Grande do Sul deve estar querendo saber em quem Marcílio vai fazer um chamego. No vocabulário gauchesco, “prenda” é a forma carinhosa com que os homens se referem às mulheres.

 

Fonte: g1.globo.com.